[Me mudei!] Como estudar na Itália?

 

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Oi pessoal! Pra quem ainda não sabe, eu me mudei em dezembro para a Itália. Oficialmente já estamos morando fora há quase 2 meses (caracas- faz 2 meses daqui há 2 dias). Eu e Yuri fizemos as malas, pegamos nosso cachorro Jake e juntos nos mudamos pra cá, logo depois do natal. O objetivo da nossa mudança para a Itália foi que eu vim estudar c-o-n-f-e-i-t-a-r-i-a 😀 Sempre foi um sonho poder estudar em outro país/fazer intercâmbio e ter este tipo de experiência, e, graças a nosso planejamento, finalmente consegui tirar este sonho do papel e transformá-lo em realidade. A aventura está sendo grande e as vezes me pego pensando se eu sou louca de estar fazendo isso tudo assim na cara e na coragem.

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Bom, após decidir que eu iria estudar confeitaria fora do Brasil, o que foi no início de 2017, comecei a pesquisar inúmeras escolas em diversos países, sempre avaliando o custo benefício do curso. Após alguns meses de pesquisa, encontrei o lugar: Etoile Escuola de Cucina e Pasticceria, na Itália. Vou contar tudo sobre a minha escola no próximo post, mas hoje quero contar mais dessa experiência louca que é mudar de país.

 

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Nós no aeroporto esperando a hora de despachar o jake

 

Vou dividir este post em alguns tópicos e em partes, porque tem muita coisa pra contar.

O visto + Embaixada italiana 

Após decidido o lugar, começou a parte chatinha (e um pouco frustrante) de resolver as burocracias para a viagem. Como o curso tem duração de 8 meses, eu precisei fazer um visto, já que na Europa você tem direito a 90 dias sem visto*. Isso incluiu inúmeras idas a Embaixada da Itália em Brasília e eu espero que você nunca precise da Embaixada Italiana lá porque o atendimento é realmente péssimo. Por onde começar… é muito desorganizado – eles nunca te dizem por completo quais os documentos que você precisa, sendo que os documentos listados são simplesmente ignorados (e aí você chega lá e descobre que tem mais um moooooonte de documentos);  eles só atendem segunda, quarta e sexta de 9h as 12h, nos outros dias estão 100% fechados ao público; eles não atendem o telefone; eles não respondem e-mails; tem pouquissimas pessoas pra te atender (na verdade, só tem 1 recepcionista) e digamos que a simpatia passa longe ali. Eu ficava tão frustrada com as minhas idas e vindas na embaixada que achava que não ia dar certo. Só pra vocês entenderem, eu levei os documentos finais (depois de ir e voltar de lá 3x e a mulher ficar sempre me pedindo mais coisas) faltando 1 mês pra viagem e eu só peguei meu visto 2 dias antes do natal (SÉRIO). Eles orientam no site que você só precisa de 3 semanas para o visto (NÃO ACREDITE NISSO), mas a real é que o processo é longo e o ideal é ir com o máximo de antecedência possível. Resumindo, passei alguns estresses massss deu certo.

 

Preciso dizer que a escola foi realmente muito prestativa e paciente em me enviar os documentos (porque cada dia era um documento diferente que a embaixada pedia) e me ajudaram muito no processo do visto. Eu me comunicava com o Danielle, que é a pessoa encarregada do setor de alunos estrangeiros e a linha de comunicação era ótima, simples e direta via whatsapp, para resolver os pepinos da embaixada.

O site que orienta como tirar o visto da Itália é ESTE, que é o site do ministério do comércio exterior italiano. Respondendo as 4 perguntas você teoricamente teria todas as respostas do que levar no dia da entrevista na embaixada. Com auxilio do Daniele, eu preenchi assim:

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Os documentos e formulários que são pedidos no site para tirar o visto de estudo são:

  • Formulário de aplicação para entrada no visto: este
  • Foto recente em tamanho-passaporte (5×7)
  • Passaporte válido (data de validade 3 meses além da data que o visto pede) 
  • Documento da escola com a inscrição no curso, especificando duração, programa de estudo, etc) O curso não pode durar mais que 24 meses. 
  •  Provas de que você tem condições de se manter na Itália, devendo ter no mínimo o especificado nesta tabela: que no caso, são de 27,89 euros por dia/pessoa, daí é só você multiplicar pelo número de dias do visto e ver o total. Você não precisa ter todo o dinheiro em conta corrente, mas pode comprovar levando limites de cartões de crédito e poupança.
  • Comprovante de acomodação na Itália 
  • Seguro de saúde para a viagem

Eu levei todos os documentos acima e tive um mega problema com o documento da escola, que explicava que o curso é dividido em aulas teóricas + estágio não foi aceito pois de acordo com a moça da embaixada eu não posso “trabalhar” na itália. Eu expliquei que era estágio e que estágio significa DE GRAÇA, TREINAMENTO (como aprender algo relacionado a cozinha/confeitaria sem prática?) mas ela insistiu e disse que não, eu não poderia fazer o estágio. Sério, queria chorar de desespero. Tive que pedir socorro pra escola. Além disso, também questionou o fato das aulas serem em italiano e eu não saber falar italiano fluentemente (sério, isso não seria um problema meu???) e eu teria que levar um teste de proeficiencia e diploma de formação em italiano ou de inglês (mas se levasse de inglês a escola teria que mandar um documento falando que o curso é em inglês, ou seja n-ã-o). Segura, que tem mais.

Então, chegando lá, os documentos pedidos A MAIS para mim na embaixada foram:

  • Comprovante de residência sendo uma conta de luz + uma conta de água – autenticadas em cartório
  • Contrato de conta do meu banco autenticada em cartório pelo gerente geral do banco – HAHAHA sério, ela queria que o gerente fosse no cartório comigo autenticar o documento. O gerente riu da minha cara dizendo que isso não existe, e fez uma assinatura eletrônica lá.
  • Meu diploma de formação em nutrição pela UnB – autenticado em cartório
  • Meu diploma de formação em gastronomia pelo IESB – autenticado em cartório
  • Passagem de volta – essa foi uma bomba porque eu não queria comprar a passagem de volta com tanta antecedência
  • Documento da escola que mostrasse que eu paguei 100% o curso – este foi outra bomba porque até então, eles só pediram o comprovante de pagamento da inscrição, mas não do curso inteiro pois a escola permite que divida em até 3x.
  • Documento da escola que mostrasse que eu teria um tradutor português-italiano simultaneo que estaria comigo em todas as aulas
  • Todos os documentos da escola assinados pelo presidente da escola + cópia dos documentos de identidade do presidente anexados no documento

SÉRIO DEPOIS DESSE DIA EU SAI DA EMBAIXADA ENTREI NO CARRO E COMECEI A CHORAR JÁ ERA CURSO JÁ ERA VIAGEM JÁ ERA SONHO NÃO TEM COMO CONSEGUIR ISSO TUDO EM 1 SEMANA AINDA TEM QUE PAGAR TUDO AGORA GENTE SOCORRO

Depois de me acalmar e organizar tudo o que eu precisava, expliquei para a escola o que eu precisava e eles me enviaram tudo bem rápido. Inclusive o documento falando que eu teria um tradutor de italiano para português (o que obviamente não aconteceu rs). Os outros documentos eu separei, fui no cartório e resolvi. Paguei o curto todo (ai meu bolso) e comprei a passagem de volta (a qual cancelei logo depois que peguei o visto – porque a gente é brasileiro e esperto!) Voltei na outra semana e ela pediu que eu fosse a embaixada possivelmente “pegar”o visto no dia 22/12 último dia aberto antes do natal. Nem preciso dizer que até chegar esse dia eu fiquei sofrendo e pensando que tudo ia dar errado né? Mas graças a Deus deu tudo certo.

Parla Italiano? Aulas de Italiano

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Um dos objetivos dessa experiência era também aprender uma lingua nova. Confesso que italiano não estava no meu radar de linguas mas depois que comecei a estudar a lingua eu quero muito ficar fluente! É uma lingua muito massa e bonita.

Durante os e-mails e perguntas que fiz para a escola, uma delas foi a questão da lingua. Minha dúvida era: o curso é dado todo em italiano? Se sim, como é aberto para alunos estrangeiros que não falam a lingua? No processo de entrar na escola, fazemos um tipo de “entrevista” bem simples, onde eles fazem algumas perguntas para te conhecer melhor. Eu sempre me comuniquei com a escola em Inglês, mas sempre souberam que eu sou brasileira. O Daniele me dizia seguramente que eu não precisava saber falar italiano e que por falar potuguês iria ser tranquilo para mim. Eu, que simplesmente não consigo ser tão tranquila assim, rapidamente fui atrás de aulas de italiano porque ATÉ PARECE que eu vou entrar em um curso e ficar totalmente perdida. imagina. O problema era o tempo: tinha apenas 2 1/2 meses pela frente.

Pesquisando na internet, encontrei a Antonella Salvatti, e cara, ela salvou (trocadilho sem graça haha) minha pele aqui nas aulas. Se eu não tivesse feito aulas com ela eu não teria entendido n-a-d-a no início e não estaria assimilando bem na prática, porque a base é essencial pra você ter noção, principalmente em entender o que eles falam. Ela sempre me dizia que primeiro você escuta e entende bem e depois melhora a conversação. E é exatamente assim que aconteceu comigo. Fiz aulas com ela até 1 dia antes da viagem, e, apesar dela morar em brasília, faziamos as aulas por skype devido a distância e pela facilidade. Quando cheguei na Tuscania, retomei as aulas com ela por skype.

As aulas dela são personalizadas e variam de acordo com o seu objetivo e rendimento nas semanas. o Yuri faz aulas também e é completamente diferente das minhas! Contato da Antonella: +39 345 0928781

Então, as aulas são em italiano?

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Sim, as aulas na escola são 100% em italiano, o material é 100% em italiano e as pessoas são 100% italianas hahahaha mentira, são 98% italianos porque na minha turma tem euzinha brasileira e o Jacob, que é americano. E EU AMO ISSO! Pensei que fosse ficar muito nervosa com essa barreira da lingua mas a real é que eu me descobri muito tranquila. Se eu não entendo algo eu pergunto  mesmo e se eu falo algo errado eu peço pra me ensinarem o jeito certo.  É A MELHOR forma de aprender outra lingua. Assim, eu estou sempre aprendendo algo novo a todo o tempo, seja nas aulas, almoçando ou batendo papo a toa.

Atualmente eu entendo praticamente tudo durante as aulas teóricas e práticas e, se tenho alguma dúvida eu pergunto a chef ou se tem alguma palavra específica que não conheço vou no google ou tradutor.  Me comunico bem com as chefs e com o pessoal durante as aulas. Fora das aulas, não entendo perfeitamente o pessoal pois eles usam muita gíria, falam mais rápido, usam palavras novas pra mim e as vezes até dialeto! Mas eu sigo aprendendo tranquila.

No próximo post vou contar sobre a cidadezinha medieval em que moramos, Tuscania, e como resolvemos a questão da moradia aqui.

Ciao!

2 Comments Add yours

  1. Rach says:

    Oi Karol! Acompanho você desde os seus cupcakes, rs. Estou pensando em passar uma temporada na França e seria muito legal se você falasse em um post como foi a adaptação do seu marido ao planejamento da viagem, já que o foco é na sua carreira. Acujo que suas dicas ajudariam muito! Beijo!

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    1. Oi Rach, obrigada pela idéia e por me acompanhar! Meu marido trabalha como designer e illustrador, em home office. Posso fazer um post falando sobre a adaptação da nossa família aqui e falar mais sobre a rotina dele 🙂 beijo!​

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